Por que todo entusiasta de tecnologia deveria ter criptomoedas

07 Feb • Escrito por @lhas

Criptomoedas: o que são? o que comem? por que você deveria ter pelo menos uma?

A ideia de inventar um dinheiro totalmente virtual não é algo novo. Em 1983, na Holanda, David Chaum inventou e posteriormente fundou a DigiCash.

Alguns anos após o lançamento da DigiCash, o Banco Central holandês criou uma série de limitações para essa tecnologia. Uma das limitações foi que Chaum só poderia fornecê-la para bancos, retirando as pessoas físicas da jogada.

Além disso, o fato das transações serem persistidas de maneira centralizada, apesar de toda a criptografia envolvida, impediam que a solução fosse escalável. Sendo assim, após os bloqueios do Banco Central holandês, Chaum se viu em uma situação incontornável, levando ao fechamento da empresa.

Sobre o Bitcoin

O Bitcoin foi a primeira criptomoeda, no formato que conhecemos hoje, lançada no mercado em 2009. O principal diferencial do Bitcoin para soluções como a de Chaum, era o fato dessa tecnologia ser descentralizada. Isso significava que não iria depender de uma pessoa física/jurídica para que as transações do Bitcoin fossem aprovadas.

Quem nasceu depois dos anos 80 muito provavelmente já baixou um arquivo em Torrent. Se você já usou torrents, você já teve contato com o universo da tecnologia descentralizada.

A ideia de seeds/peers é bem semelhante a por de trás dos mineradores de Bitcoin.

Satoshi Naka-quem?

Satoshi Nakamoto é o pseudônimo de uma (ou várias) pessoa(s), que criaram o whitepaper do Bitcoin. Neste whitepaper, está todas as definições técnicas, mecanismos de funcionamento, protocolos, por de trás do Bitcoin.

El@ (ou eles) resolveu o problema de gasto-duplo em transações digitais. Esse era o principal desafio para se propor uma moeda digital descentralizada.

Este não é um conselho sobre investimentos

Para ficar claro: não estou dizendo para você pegar toda a sua reserva financeira e aplicar em criptomoedas.

A ideia é que pessoas que já trabalham com tecnologia, dêem uma chance para essa tecnologia. Apesar dela já existir há 11 anos, ainda tem um clima de mistério muito forte sobre este assunto na sociedade.

O que é blockchain?

Imagine um livro contábil. Se você não tem essa referência no seu cérebro, um livro contábil é semelhante a isso aqui:

A ideia por de trás da Blockchain é ser um livro contábil como o acima, porém de modo descentralizado.

O que ser descentralizado significa?

Significa que se da noite pro dia a China resolver desligar toda a sua internet, as transações do Bitcoin continuarão a ocorrer.

E se cair uma bomba nuclear nos EUA? Não tem problema, temos mineradores de Bitcoin por todo o planeta, em todos os continentes.

Você pode visualizar todos os nós de Bitcoin rodando no momento.

E se alguém hackear a rede?

Graças a natureza descentralizada, se torna basicamente impossível que a rede do Blockchain seja hackeada.

Para que algo do tipo seja possível, seria necessário que pelo menos 51% dos servidores de Bitcoin sejam hackeados de modo unidirecional.

Como o código do Bitcoin funciona?

O fato dele ser descentralizado e open-source, permite que você veja todo o seu código-fonte. Inclusive, você pode contribuir no projeto resolvendo alguma issue em aberto.

Como as transações funcionam?

O primeiro passo é você gerar uma carteira virtual. Cada carteira virtual tem um endereço, que é um número criptografado, gerado de forma única. Isso significa que é impossível que duas carteiras sejam geradas com o mesmo endereço.

O funcionamento é bem similar ao de um e-mail. O segundo passo é outra pessoa também ter uma carteira.

Então, é possível que você envie transações de qualquer valor para a outra pessoa e vice-versa.

Essas transações são geradas na rede do Bitcoin. Cada transação precisa passar pelo processo de confirmação. Ela é validada pelos nós da rede do Bitcoin.

Cada ciclo de confirmação leva 10 minutos para ocorrer.

Os mineradores (os donos dos nós de Bitcoin) são recompensados por esse processo de analisar e confirmar transações, recebendo um valor de BTC a cada ciclo de confirmação.

Por que mineradores?

O Bitcoin é de natureza deflacionária. Se você não conhece esse jargão econômico, é muito simples de entender: existe uma oferta limitada de Bitcoins. Eles não podem ser emitidos infinitamente. Para ser mais específico, só podem ser emitidos 21 milhões de Bitcoins. E até então, já foram emitidos 16 milhões.

Isso garante que a moeda não sofra manipulações através de Bancos Centrais, gerando a tão conhecida inflação.

Por isso, costumam chamar o Bitcoin de “ouro digital”. O raciocínio é exatamente o mesmo por de trás do fato do Ouro valer o que vale.

Quais benefícios desse tipo de tecnologia?

São vários. Vou listar os que eu acredito serem os mais relevantes:

  1. Método de pagamento: você pode fazer pagamentos 24x7x365, sem depender de um terceiro, como um banco;
  2. Armazenamento seguro de valor: A partir do momento que há um saldo na sua carteira virtual, somente quem possuir a chave privada da carteira, poderá movimentá-la. Isso garante que governos e bancos centrais não possam manipular artificialmente o mercado;
  3. Microtransações: quando você tem muitos intermediários no processo (gateways de pagamento, bancos, governo), se torna praticamente impossível criar um cenário de microtransações. Se você quer cobrar, digamos, R$0,25 para desbloquear algum conteúdo do seu site, você não consegue nos meios tradicionais. É tanta taxa e limitações, que você acaba eliminando estas microtransações. Quando estamos em um cenário descentraliado, ou seja, sem intermediários, como é o caso do Bitcoin, se torna possível que microtransações (centavos ou frações de centavos) ocorram.
  4. Contratos inteligentes: Essa é a parte mais interessante para quem curte programação. É essa a principal diferença entre criptomoedas e moedas tradicionais. É tão interessante que vai ser um tópico só para ela:

Contratos inteligentes

Imagina que a Valentina quer deixar para seu neto, Enzo, R$10.000,00 para quando ele fizer 18 anos.

Hoje em dia, seria necessário contratar um advogado para criar um contrato entre o banco e a Valentina, para que o banco garanta que só irá liberar o dinheiro daqui há 18 anos.

Agora, vamos imaginar num cenário de criptomoedas:

A Valentina tem a carteira dela e ela cria uma carteira para o Enzo.

Então, Valentina envia os R$10.000,00 para a carteira dela e desenvolve um contrato inteligente.

O contrato é definido de forma que no dia do aniversário de 18 anos do Enzo, o contrato irá automaticamente mover o saldo da Valentina para a carteira de Enzo. E que, antes dessa data, nem mesmo ela possa movimentar esse dinheiro. Ele ficará bloqueado até o deadline do contrato.

Percebe como foi eliminado várias camadas dessa transação? Advogados e bancos.

Onde comprar Bitcoin

Você pode se cadastrar em uma corretora nacional. Hoje em dia, existem diversas corretoras no mercado. A minha preferida é a BitcoinTrade. Neste exato momento, a liquidez deles só em BTC é de mais de R$4 milhões.

Corretoras internacionais tendem a ter um volume de liquidez ainda maior. Você pode analisar o volume do mercado em sites como o Coin Market Cap.

O volume do Bitcoin global hoje é de R$155 bilhões. Isso é mais que o PIB de muitos países.

Que tipo de carteira usar?

Existem diversas opções, recomendo que você pesquise sobre com calma. Atualmente, pela facilidade e interface, eu uso e recomendo a Exodus.

Mas você pode usar qualquer uma. Inclusive o Bitcoin tem a sua “carteira oficial” (a interface é meio meh, como qualquer coisa feita somente por desenvolvedores).

Conclusão

Tecnologias como Blockchain e Bitcoin vieram definitivamente pra ficar. Há menos de 100 dias do próximo Halving, é interessante que você, entusiasta tecnológico, abra seus olhos e experimente o dinheiro do futuro.

Cada vez mais há oportunidades de trabalho nessa área. Empresas que resolvem problemas que a gente ainda nem sabia que tinha. Desenvolvedores de contratos inteligentes é uma das profissões mais requisitadas para o futuro. Vale o estudo, pessoal, profissional e financeiramente. :)

Espero que tenham gostado e até a próxima! 😺


Escrito por

Luiz Almeida

Especialista em front-end, trabalha com desenvolvimento há 10 anos. Apaixonado por escrever e participar de desafios que envolvem tecnologia, vive atualmente em Porto Alegre.

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